Reconhecer o Corpo Novamente Após o Cancro da Mama

Reconhecer o Corpo Novamente Após o Cancro da Mama

A recuperação vai além da doença.

Por Fisioterapeuta Diana Esteves

O cancro da mama traz mudanças profundas — físicas, emocionais e funcionais. Entre consultas, exames, cirurgias e tratamentos, muitas mulheres sentem que a relação com o próprio corpo também se transforma.


Mesmo após o fim dos tratamentos, podem persistir desafios como dor, fadiga, limitação de movimentos, alterações da sensibilidade, cicatrizes ou desconforto com a imagem corporal. No entanto, esta fase é muitas vezes vivida em silêncio, como se a recuperação terminasse no momento em que os tratamentos acabam.


A recuperação, porém, vai muito além da doença.


A forma como cada mulher olha para o seu corpo após o cancro da mama pode mudar significativamente. Alterações físicas decorrentes da cirurgia ou dos tratamentos de combate à doença podem afetar a autoestima, a confiança, a intimidade e a sensação de identidade corporal. Algumas mulheres deixam de se reconhecer totalmente ao espelho ou evitam determinadas atividades por receio, desconforto ou insegurança.


É precisamente aqui que a fisioterapia pode ter um papel importante.


As alterações provocadas pela doença e pelos tratamentos podem modificar profundamente a forma como cada mulher se relaciona com o seu corpo. O processo de reconhecer este “corpo alterado” é pessoal e acontece de forma diferente para cada mulher. Muitas vezes, recuperar vai muito além da dimensão física — passa também por voltar a sentir confiança no movimento, na funcionalidade e na própria imagem corporal.


Na área da reabilitação oncológica, o objetivo não é apenas recuperar movimento ou reduzir dor. É também ajudar cada mulher a voltar a sentir confiança no seu corpo, promovendo funcionalidade, autonomia e qualidade de vida.


A fisioterapia pode ajudar na recuperação da mobilidade do ombro, da região dorsal e das cicatrizes, na diminuição da dor, na prevenção e acompanhamento do linfedema, no combate à fadiga e no regresso gradual à atividade física e às rotinas do dia a dia. Mas, acima de tudo, pode ser um espaço de reconexão com o corpo.


Cada recuperação é diferente. Não existe uma forma “certa” de viver o pós-cancro. O importante é que as mulheres saibam que não precisam de aceitar limitações, desconforto ou distanciamento do próprio corpo como algo inevitável.


Recuperar nem sempre significa voltar ao corpo de antes. Muitas vezes significa voltar a sentir o corpo como nosso.