Dor no pescoço e telemóvel: será que o problema é a postura?

Dor no pescoço e telemóvel: será que o problema é a postura?

Descubra porque variar de posição pode ser mais importante do que procurar a postura perfeita.

Quantas vezes por dia olha para o telemóvel?


Se pensarmos bem, provavelmente muitas mais do que imaginamos. Usamo-lo para trabalhar, responder a mensagens, consultar redes sociais, ver vídeos, ler notícias, fazer compras ou simplesmente passar alguns minutos a descansar. E, com o aumento do tempo que passamos ao telemóvel, também é cada vez mais comum ouvir queixas como: “Tenho dores no pescoço por estar sempre a olhar para baixo” ou “A minha postura está a estragar-me o pescoço”.


Mas será que a postura é realmente a culpada? A resposta não é assim tão simples.


O que acontece quando olhamos para baixo durante muito tempo?


Quando inclinamos a cabeça para olhar para o telemóvel, os músculos e outras estruturas da região cervical têm de "trabalhar" e adaptar-se para sustentar essa posição. Isto não significa, por si só, que estejamos a causar uma lesão ou a adotar uma postura ‘errada’.


O nosso corpo foi feito para se movimentar e adaptar-se a diferentes posições; o problema pode surgir quando permanecemos muito tempo na mesma posição, com pouco movimento durante esse período. Imagine passar 30 ou 40 minutos sentado no sofá, com a cabeça inclinada, completamente concentrado no ecrã. O problema pode não estar nessa posição em si, mas no facto de permanecer nela durante muito tempo, sem variar ou dar oportunidade ao corpo para se movimentar. Com isso, podem surgir ou intensificar-se sensações de tensão, fadiga ou desconforto no pescoço e nos ombros.


Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja “Estou numa postura correta?”, mas sim: “Há quanto tempo estou nesta posição sem me mexer?”


Será que existe uma postura correta para usar o telemóvel?


Esta é uma das ideias que importa desmistificar. É frequente ouvirmos recomendações como “tenha sempre o telemóvel à altura dos olhos” ou “mantenha as costas direitas”. Estas estratégias podem ser úteis em determinadas situações, mas não significam que exista uma única postura perfeita que devamos manter durante horas. Na realidade, tentar manter uma postura “perfeita” durante demasiado tempo pode acabar por ser pouco prático.


O nosso corpo não precisa de estar constantemente numa posição perfeitamente alinhada. Precisa, sobretudo, de movimento e de variar as posições ao longo do dia. É por isso que há uma frase de que gosto particularmente: “A melhor postura é, muitas vezes, a próxima postura.”


Ou seja, em vez de nos preocuparmos excessivamente em encontrar a posição perfeita, podemos procurar mudar regularmente de posição e dar ao corpo oportunidades para se movimentar.


Dor cervical, limitação dos movimentos ou sintomas que interferem com o seu dia a dia? Uma avaliação individualizada por um fisioterapeuta pode ajudar a compreender melhor os seus sintomas e a encontrar estratégias adequadas para si. Contacte-nos!

André Valério

Fisioterapeuta André Valério